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Goma Gringa Discos

VICENTE BARRETO "CAMBACO" • gglp-009

AVISE-ME QUANDO DISPONÍVEL:


Após hiato de 10 anos, Vicente Barreto lança Cambaco acompanhado pela vanguarda paulista e, reinventando-se, inverte a lenda moçambicana do velho grandioso e solitário elefante cambaco que, cobiçado por caçadores, se isola para morrer só e preservar o restante da manada.

Lançado no final de 2015, o disco esta agora disponível em vinil numa edição limitada de 300 cópias com capa dura empastada gatefold assinada por Manu Maltez!

OUÇA

O DISCO E A CAPA

• Edição limitada DeLuxo de 300 cópias.
• A capa, assinada por Manu Maltez, é o nosso modelo de capa dura empastada gatefold.
• Capa: Impressão 2x0, Preto e Pantone Vermelho sobre papel couchê + laminação brilhante.
• Forro: Impressão 2x0, Preto e Pantone Vermelho sobre papel offset alta-alvura.
• Rótulos: Impressão 2x0 Preto e Pantone Vermelho.

FICHA TÉCNICA

A1. CAMBACO (Vicente Barreto / Manu Maltez)
A2. KARINA (Rodrigo Campos / Vicente Barreto)
A3. É TIPO DE CONVERSA (Vicente Barreto / Kiko Dinucci)
A4. TATARAVÔ (Vicente Barreto / Romulo Froés)
A5. BORO (Vicente Barreto)
A6. SABIÁS (Vicente Barreto / Kiko Dinucci)

B1. BATENDO SABÃO (Vicente Barreto / Rafa Barreto)
B2. HERANÇA (Vicente Barreto / Rafa Barreto)
B3. JARDIM JAPÃO (Vicente Barreto / Rodrigo Campos)
B4. CHORORÔ (Vicente Barreto / Romulo Froés)
B5. PREÇO DE AMANHECER (Vicente Barreto / Manu Maltez)

com:
VICENTE BARRETO - voz e violão
RODRIGO CAMPOS - guitarra
MARCELO CABRAL - baixo
SERGIO MACHADO - bateria
THIAGO FRANÇA - saxofone e flauta
JUÇARA MARÇAL - voz

Gravado e mixado no estúdio da RedBull Station - São Paulo, por Rodrigo “Funai” Costa.
Masterizado por Fernando Sanches no estúdio El Rocha.
Produção musical por Marcelo Cabral.
Ilustrações por Manu Maltez.
Liner notes por Lucas Nobile.
Layout e Produção Gráfica por Frederic Thiphagne.

A PISADA FORTE DO CAMBACO VICENTE BARRETO por Lucas Nobile

Fazia mais de dez anos que Vicente Barreto não lançava um disco.
Como explicar um jejum tão longo para o parceiro de nomes como Tom Zé (nos cultuados “Estudando o Samba” e “Correio da Estação do Brás”), Vinicius de Moraes, Hermínio Bello de Carvalho, Paulo César Pinheiro, Gonzaguinha, Celso Viáfora, Chico César e Alceu Valença, com quem entre tantos acertos criou o clássico “Tropicana”?
Resignado diante de tão largo hiato, Vicente havia decidido não voltar mais aos estúdios. Não fazia sentido gravar para repetir ideias, conceitos, propostas e sonoridades que ele já apresentara em discos anteriores.

Após ser demovido por seu filho, o guitarrista Rafa Barreto, da ideia de aposentadoria, Vicente compôs um tema - que julgava ser bem diferente do que fizera até então - e o apresentou a Manu Maltez. Numa daquelas coincidências sobrenaturais que vez ou outra dão as caras no universo da música, o baixista, compositor e desenhista revelou a Vicente um mote, guardado havia anos em sua cabeça, que se encaixaria como luva naquela melodia. Aparecia então a história de Cambaco: no dialeto moçambicano changana, o elefante velho e sábio que, cobiçado por caçadores, se isola para morrer só e preservar o restante da manada.

Animado com o resultado da cria recente, Vicente enfileirou outras inéditas, buscando a mesma proposta de sonoridade: explorar os baixos e as regiões mais graves de seu violão, com células e frases melódicas mais curtas, algo completamente diferente no contexto de sua obra. Surgia ali a lufada de criatividade e de ineditismo que o baiano de Serrinha tanto aguardava. Subvertendo a lenda do cambaco, em vez de se isolar (e aceitar o fim de sua vida artística), o compositor estava pronto para retornar, desta vez com um som cheio de frescor, robusto, denso, inesperada e assustadoramente autobiográfico.

O resultado só foi possível graças à aproximação de Vicente - por recomendação de Rafa Barreto - com o produtor Marcelo Cabral e a turma de compositores e músicos de São Paulo responsáveis por alguns dos discos mais criativos da música brasileira nos últimos anos. Com grande sabedoria, Cabral entendeu que os arranjos, em sua maioria criados coletivamente dentro do estúdio - e com uma formação enxuta (violão, guitarra, baixo e bateria; mais o sax de Thiago França e a voz de Juçara Marçal em algumas faixas) -, deveriam engrossar o caldo do violão de Vicente, não ofuscá-lo.

Já em relação aos versos das canções, aí justifica-se o aspecto, digamos, espantosamente pessoal e biográfico deste disco de Vicente Barreto. Isso porque ao enviar as músicas do violonista para os letristas, Cabral não fez direcionamentos, não pautou nenhum dos compositores. Portanto, ao ouvir versos como “Refazer o meu caminho até renascer/ Encontrar um jeito novo de caminhar/ Sem deixar minha saudade atrapalhar/ Sem perder o que guardei na minha canção”, de Romulo Fróes, em “Herança”, tem-se a impressão de que tudo foi combinado, mas não, não foi. E o que dizer de “Poeira é o que trago nesses bolsos/ Três hérnias me seguem pra onde eu vou/ Jurei não bulir mais com a viola/ Mas ouve esse som da hora/ Escuta o tremor clamando/ O sofá que se segure nesse andor”, de Manu Maltez, em “Preço do Amanhecer”, sobre Vicente indo da aposentadoria à vibração com o novo disco?

Romulo ainda assina com o parceiro a simples e direta (e linda justamente por isso) “Chororô”. Manu é também autor da fabulosa faixa que dá nome ao álbum. Além deles, aparecem em dose dupla Kiko Dinucci, na groovada “É Tipo de Conversa” e na surrealista e cinematográfica “Sabiás”; Rafa Barreto, na atual e realista “Batendo Sabão” e em “Bisavô”; e Rodrigo Campos, craque com as frases de sua guitarra e magistral nos versos de “Karina” e “Jardim Japão”, eternizada anteriormente em seu disco “Bahia Fantástica” na voz de Juçara Marçal, e gravada agora só com voz e violão de Vicente, escancarando ainda mais o acontecimento que é esta composição. Somada às canções, a instrumental “Boró”é diálogo de fogo entre o violão de Barreto, a guitarra de Rodrigo e o sax de França.

Por fim, a unidade do disco impressiona em termos de sonoridade e de letras. O “Cambaco” de Vicente Barreto faz lembrar as prosas poéticas do moçambicano Mia Couto, do angolano José Eduardo Agualusa e do baiano Jorge Amado. Ouve-se a prosa no contar de uma história muito bem enredada em que repentinamente revelam-se achados poéticos como “o passado às vezes sai do lugar” e “na morte a gente apaga, ou não, a dor?”. É cambaco que carrega sua ancestralidade, mas mira lá na frente; é disco que esteticamente soa inclassificável, atual e sem tempo, simples e denso, de pisada forte, deixando um rastro de beleza inapagável na trajetória de Vicente Barreto.