Goma Gringa

LP Juçara Marçal "ENCARNADO"

Lançado em 2014, ENCARNADO - primeiro disco solo da cantora Juçara Marçal - já esta culto e se tornou uma referência central da cena contemporânea paulista. Essencial!

Após o sucesso da primeira edição, estamos muito felizes e orgulhosos de anunciar a chegada desta nova tiragem em vinil, numa bela capa dupla empastada, edição limitada de 400 cópias!


Prêmio Governador do Estado (Júri) - Melhor Álbum 2014
Prêmio APCA 2014 - Melhor Álbum
Prêmio Multishow 2014 - Música Compartilhada
Prêmio Folha de S. Paulo 2014 - Melhor Show

Ouça

Ficha Técnica

A1. VELHO AMARELO (Rodrigo Campos)
A2. DAMIÃO (Douglas Germano/Everaldo Ferreira da Silva)
A3. ODOYA (Juçara Marçal)
A4. CIRANDA DO ABORTO (Kiko Dinucci)
A5. CANÇÃO PRA NINAR OXUM (Douglas Germano)
A6. JOÃO CARRANCA (Kiko Dinucci)

B1. QUEIMANDO A LÍNGUA (Romulo Fróes/Alice Coutinho)
B2. PENA MAIS QUE PERFEITA (Gui Amabis/Regis Damasceno)
B3. E O QUICO? (Itamar Assumpção)
B4. NÃO TENHA ÓDIO NO VERÃO (Tom Zé)
B5. A VELHA DA CAPA PRETA (Siba Veloso)
B6. PRESENTE DE CASAMENTO (Thiago França/Romulo Fróes)

com:
JUÇARA MARÇAL – voz
KIKO DINUCCI – guitarra
RODRIGO CAMPOS – guitarra/cavaquinho
THOMAS ROHRER – rabeca
Participação: THIAGO FRANÇA em Damião e E o Quico?

Gravado em novembro de 2013 no Estúdio El Rocha por Fernando Sanches.
Mixagem e masterização: Fernando Sanches
Produção: Juçara Marçal, Rodrigo Campos e Kiko Dinucci
Desenho: Kiko Dinucci
Projeto gráfico: Rubens Amatto
Produção Gráfica: Frederic Thiphagne

A capa • 2 a edição

• Edição DeLuxo de 400 cópias.
• A capa, assinada por Kiko Dinucci, é o nosso modelo de capa dura empastada gatefold.
• Capa: Impressão 4x0 sendo quatro Pantone sobre papel couchê + laminação brilho.
• Forro: Impressão 2x0, Preto e Pantone Vermelho sobre papel offset alta-alvura.
• Capinha interna em papel vermelho tingido na massa.

A capa • 1 a edição (esgotada)

Da curadoria do Rubens Amatto (Casa de Francisca), a capa recebeu um tratamento muito especial!
Foi desenvolvido especialmente para este disco e esta edição uma capa de PVC vermelho, com transparencia. É neste suporte que foi impressa a arte - assinada por Kiko Dinucci - em serigrafia de 3 cores nos dois lados pelo mestre Alvaro.
Nela vem uma capinha interna impressa em Ton sur Ton também em serigrafia, tinta vermelha sobre papel vermelho fosco tingido na massa. Peça única!
Foram produzidas somente 200 unidades desta edição!


video juçara marçal encarnado

[Video] DobleChapa

Ciranda do Aborto

Gravação no estúdio El Rocha

clicar e assistir assistir no YouTube

[Video] DobleChapa

Ciranda do Aborto

Gravação no estúdio El Rocha

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Não diga que estamos morrendo. Hoje não!

Juçara Marçal está longe de ser uma estreante. Já são mais de vinte anos de carreira e uma extensa discografia lançada ao lado dos grupos Vésper, A Barca e Metá Metá. Somente agora Juçara se aventura agora em seu primeiro trabalho solo e o faz de maneira surpreendente. Encarnado (2014), mais do que um apanhado de sua longa trajetória artística, é quase uma nova estreia, apontando em uma direção arriscada e inesperada, inimaginável até para aqueles que acompanharam seu longo percurso até aqui.

Em sua definição espiritual, encarnado é o espírito que ocupa temporariamente um corpo humano. Encarnado também significa torna-se carne. Não por acaso, Encarnado, o disco de Juçara Marçal, tem seu repertório todo marcado pelo tema da morte. No entanto, mais que finitude, parece indicar uma busca por renovação, renascimento, um desejo por um “outro corpo”, uma “nova carne”. Logo na abertura do disco, pelos versos de O Velho Amarelo(Rodrigo Campos), Juçara reivindica: “Não diga que estamos morrendo, hoje não”. Se a morte é inevitável, que seja encarada sem medo: “Vai, menina dos meus olhos, penetre entre os olhos, não há piedade, é só o fim, vai!”. Já em Ciranda do Aborto (Kiko Dinucci) o tema da morte aparece de maneira desconcertante, mais explícito, violento. Violência em nada apaziguada pela ambiguidade de seu título. Ciranda do Abortojá começa na faixa anterior Odoya (Juçara Marçal), uma vinheta que lhe serve quase como introdução. Mais do que introdução, serve de oração, uma benção à mãe Odoya: “Agô Yabá, bença mãe” e vai servir também como um pedido de ajuda para atravessar o momento tão doloroso descrito a seguir: “Passa na carne a navalha, se banha de sangue, sorri ao chorar, cobre o amor na mortalha pra ele não acordar, sente no fel deste beijo, o agouro da morte a se revelar”.

E como suportar a audição de um disco construído a partir de tema tão profundo, quanto desagradável? A resposta está na voz de Juçara Marçal. Sob seu canto se revelam belezas escondidas e insuspeitas. E ele não cessa, um instante sequer. Juçara canta, mesmo quando não está cantando. Canta quando fala, na fala itamariana de E o Quico (Itamar Assumpção). Canta quando grita, o grito pós-tropicalista de Não Tenha Ódio no Verão (Tom Zé).

Lembro de Torquato Neto e sua célebre fala: “Um poeta não se faz com versos, é o risco, é estar sempre a perigo sem medo, é inventar o perigo e estar sempre recriando dificuldades pelo menos maiores, é destruir a linguagem e explodir com ela.” Seguindo a cartilha de Torquato, ao discorrer sobre a morte, Juçara nunca esteve tão viva. Ao se reinventar, não só abriu novas possibilidades a si mesma, mas à própria música brasileira. Seu disco é lançado em um época em que a canção popular perdeu há tempos a importância na formação cultural do nosso país. Talvez seja muito menos ouvido e discutido do que de fato Juçara e o Brasil mereciam. Mas servirá desde já e por muito tempo ainda, de antídoto para o discurso nostálgico e paralisante dos profetas do fim da canção. Estes deveriam prestar atenção ao que diz em alto e bom som Juçara Marçal: Não diga que estamos morrendo. Hoje não!

Texto editado a partir do release de Romulo Fróes.

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