Goma Gringa

7" Metá Metá c/ Tony Allen "Alakorô"

Denso e espiritual, o trio paulista Metá Metá - “três em um” em iorubá - lança o compacto 'Alakorô' (‘pequena coroa’ em iorubá) que conta com a participação do lendário Tony Allen, baterista nigeriano idealizador do Afro-Beat ao lado de Fela Kuti.

- O lado A, ‘Alakorô’ - em iorubá “dono da pequena corôa” - é uma saudação para Oyá, onde ritmo e melodia induzem a um transe, guiados ora pelo canto de Juçara Marçal, ora pelo saxofone de França.

- O Lado B, ‘Sao Paulo No Shakin’, propõe uma leitura mais urbana do encontro entre o saxofonista Thiago França, o baixista Marcelo Cabral e o produtor Daniel Bozzio com Tony Allen, onde o ritmo repetitivo e fluido é levado pelo saxofone numa produção sinuosa e hipnótica.


“Rootsy and modern at the same time, Metá Metá are inventors for the new music scene in Brazil”  Tony Allen

Ouça

Ficha Técnica

Lado A. Alakorô (Metá Metá + Tony Allen)
Lado B. SP No Shakin' (Thiago França + Tony Allen)

ALAKORÔ:
produzido por Thiago França, Marcelo Cabrale Daniel Bozzio
mixado por Daniel Bozzio
masterizado por Felipe Tichauer
Thiago França- sax tenor, pocket piano
Marcelo Cabral - baixo, pocket piano
Daniel Bozzio - samples
Maurício Bade - percussão
Tony Allen - bateria

SP NO SHAKIN:
produzido por Thiago França
mixado por Daniel Bozzio
masterizado por Felipe Tichauer
Juçara Marçal - voz
Kiko Dinucci - violão, guitarra
Thiago França - sax tenor
Marcelo Cabral - baixo
Maurício Bade - percussão
Tony Allen - bateria

Arte - Kiko Dinucci
Produção Gráfica - Frederic Thiphagne

A capa • 1ª edição

• Edição limitada de 300 cópias numeradas.
• Arte assinada por Kiko Dinucci.
• Impressa em LetterPress (tipografia) pelo Estudio Carimbo.
• Impressão 2x0, preto e vermelho, baixo relevo sobre papel Bambu.
• Espessura do papel pintado em vermelho.
• As 100 primeiras cópias vieram com um CD Bônus do show de Metá Metá com Tony Allen na Serralheria - SP!

A capa • 2ª edição

• Edição limitada de 300 cópias numeradas.
• Arte assinada por Kiko Dinucci.
• Impressa em Risograph - técnica especial entre Silk e Litografia - pela Meli Melo Press.
• Impressão 2x0, preto e vermelho. Porem, das 300 cópias, 50 ficaram com cores diferentes, preto e laranja!


COMO OGÚN OFERECEU À SUA ESPOSA OYÁ SEU AKORÔ

Ògún, o ferreiro de Ire, gostava de sua liberdade. Morava na forja, na última rua da cidade, com sua esposa Oyá, que o ajudava. Sua casa não tinha porta ou janela e o teto era formado pelas folhas de mariwo, que impediam a chuva e o excesso de sol de incomodá-lo. Ele via os amigos passarem na rua e os saudava com um aceno.
Era considerado homem importante, e foi presenteado pela comunidade com um "akoro", pequena coroa de metal que usava com muito orgulho.

Pedira ao seu irmão Ode, o caçador, também chamado Osóòssi, que caçasse para ele um enorme touro selvagem que vivia por perto. Tratou o couro do animal e fez dele um enorme fole. Sua esposa Oyá manejava o fole o dia todo, enquanto ele trabalhava na forja, com o calor em seu rosto. E quem passava naquela rua ouvia a música que saia da forja: "Wuuush", fazia o fole. "Lakaiye, lakaiye", ecoavam a bigorna e o martelo. Havia muito trabalho e Ògún e Oyá não paravam nunca.

Uma família resolveu certo dia realizar uma festa para o velho Pai que morrera no ano anterior. Contrataram a Sociedade Egungun da aldeia, cerimónias de propiciação foram feitas pelos Sacerdotes, e o Egungun do velho Pai passeou todo o dia pela cidade, com a família e os amigos atrás, felizes de rever seu Pai de volta ao mercado, tomando sol na praça, andando na estrada, entrando nas casas, brincando e conversando com todos.

Bem mais tarde, Egungun passou pela forja, para rever seu amigo ferreiro. E, ao ouvir a música que saia de lá, pôs-se a dançar na rua. Todos ao seu redor riam e gritavam de alegria, Ògún acelerava os movimentos, e o "Lakaiye, lakaiye" saia mais forte. Oyá manejava rapidamente o fole, e ouvia-se "Wuuush, wuuush, wuuush", quase sem parar. O povo aplaudia aquela música e cada vez mais juntava gente ao redor da forja. Ògún estava muito orgulhoso de sua mulher. Ela realmente era muito forte, tinha bom ritmo, sabia como transformar seu fole em um instrumento musical, e com isso encantara e dominara a Egungun, tido como difícil de lidar.

A noite caiu e Egungun ainda dançava na rua. Ògún disse a Oyá que largasse o fole e fosse dançar com Egungun. Ele ao mesmo tempo manejaria o fole e bateria o martelo. E por horas e horas, Oyá e Egungun dançaram e alegraram o povo de Ire. Ògún então tirou seu akoro da cabeça e presenteou com ele sua esposa Oyá, dizendo à ela: "Oyá, iyawo mi, akoro mi lonoon." (Oyá, minha esposa, use meu akoro na rua). E a partir de então, Oyá teve o direito de usar um akoro de metal na cabeça, direito este que conserva até hoje, na velha Mãe África e no novo mundo, sendo a única ayaba que pode fazê-lo, uma vez que seu marido Ògún Alakoro ( o dono do akoro), a autorizou a isto.

Oyá ficou conhecida então como "aquela que usa akoro na rua", "aquela que faz Egungun dançar com a música da forja", "a Mãe que dança com o filho toda a noite sem se cansar", "a poderosa Mãe que conseguiu cansar Egungun", "mulher de Orixá Ògún que recebeu dele o akoro e com ele divide os poderes sobre a forja", "a que tem akoro e o usa na rua, sem que seu dinheiro tenha sido gasto para isso"

- Ìyá Sandra Medeiros Epega -

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